Pai_dos_Povos

Terça-feira, 19 de Julho de 2005

Jan Palach - História Inspiradora

Há cerca de seis meses, por alturas das últimas eleições no nosso país (que eu saiba), contei aqui a emocionante e heróica história de Jan Tlustý (nome alterado), jovem revolucionário de ideais raramente vistos, que se sacrificou em nome da evolução. Essa história agradou a muitos dos nossos leitores, que simpatizaram com a coragem e espírito de sacrifício do jovem Jan. Por isso, e a pedido dos trabalhadores, volto aqui a contar uma história de heroísmo e sacrifício, trazida deste mesmo país, símbolo da liberdade do leste europeu.


Corria o frio Inverno de 1969, e como sabem, toda a Checoslováquia tinha sido ocupada pelos tanques soviéticos meio ano antes. Toda? Sim, nenhuma aldeia resistia ainda à força de alguma poção mágica. Aliás, lá bebe-se mais é cerveja. Em quantidades industriais. Mas desvio-me do assunto. Dizia que toda a Checoslováquia tinha sido ocupada. Por volta de de Janeiro de 1969, uns mesitos depois da ocupação, o pessoal andava meio revoltado. Atirava umas garrafas, fazia barulho, andava com cartazes, com paus a bater nos tanques russos, com grafittis a fazer bonecos, e o Pai Natal. Ninguém se aleijou, a não ser um ou outro que armado em carapau de corrida tentou subir a um tanque (de certeza para fazer um grito à Tarzan), à Yeltsin (lembram-se?), e levou uma coronhada, com os cumprimentos do camarada Brezhnev.


Mas depois veio Jan Palach (nome verdadeiro). Assim como o seu homónimo Tlustý, Palach era um jovem estudante de ideais fortes. Não queria deixar o invasor soviético violar a liberdade do seu país assim, sem resistência. Afinal, a sua nação, a dupla nação Checoslovaca, tinha ganho independência recentemente... e perdido outra vez... e ganho outra vez... e perdido outra vez... e por aí adiante, e Jan queria manter o status quo, fosse ele qual fosse. Afinal, em toda a sua história, a nação checa tinha sido província da Alemanha ou da Áustria, e afinal é um país onde as tradições são para se manter. Por essas razões e por outras, o jovem e rebelde Palach revoltou-se contra os ocupadores soviéticos. Ninguém sabe o que o levou a fazer aquilo, mas fê-lo. Em plena Praça Vaclav, a principal de Praga, cobriu-se de gasolina e acendeu um fósforo, como sinal de protesto contra os invasores. Como anteriormente, ninguém se magoou, ninguém interviu, os russos puseram-se a olhar, de certeza a pensar que estes checos não são muito certos. Talvez alguns tenham aproveitado para se aquecer, que em Janeiro, em Praga, faz fresco. Ninguém se magoou, claro, tirando o heróico Jan Palach, que deu a vida para nada. Não lutou, não fez nenhum discurso inspirador, não sabotou tanques. Nada disso. Apenas se imolou pelo fogo. Claro que, hoje em dia, é tido como herói nacional, com direito a monumento na dita praça, mesmo à sombra da estátua de S. Venceslau, padroeiro do país, medalha post-mortem e até um asteróide com o seu nome.Mas como terão pensado os soldados russos que estavam de serviço nessa solarenga tarde, estes checos são loucos.


Outro dos chamados "efeitos Palach" é o facto de, de seis em seis meses, algum imbecil, em busca dos seus 15 minutos, ou da sua eternidade de fama (depende de quão idiotas forem, mas normalmente, e dados os factos, são muito), tentar a mesma façanha. É apenas triste o facto de nem todos morrerem, e de uma considerável percentagem sobreviver, e até chegar a dar entrevistas ao canal de televisão-tablóide do sítio. Mas ainda assim é uma forma de luta a estimular.


Sabemos obviamente, meus amigos e camaradas, que qualquer pessoa que escolha queimar-se a si própria para combater algo, ou lutar por uma causa, não prima pela inteligência. Ou, posto noutros termos, ou é estúpida como a merda, ou mais ainda que isso. Além disso, será tipicamente um fanático idealista, que está sempre a chatear-nos com conversa da chacha sobre as causas pelas quais combate, um imbecil egocentrista que não percebe que o mundo não acaba em si e nas suas ideias, e geralmente alguém a quem estamos sempre a dar sinais mais ou menos discretos - porque somos educados - de que não queremos a sua companhia, e ele não percebe porque é burro. Além disso, será alguém que não é capaz de reconhecer a sua descrição realista, por exemplo, numa posta num blógue, tal é a sua visão distorcida de si mesmo. Outra característica destes seres humanos é, principalmente devido à sua baixa inteligência, não aderirem às nossas causas aqui no Blog Anti Blog.


Por estas razões, digo eu que é saudável, senão necessário, estimular esta forma de luta. Primeiro, e mais importante, quantos mais se queimarem, melhor, menos ficam para nos chatearem os cornos. Em segundo lugar, gostaria que fosse esta toda a resistência que a nossa Gloriosa Revolução há-de ter. Se para se oporem à nossa Marcha Triunfal sobre Lisboa mandarem um exército de imbecis para se imolarem pelo fogo, óptimo. Vamos tentar fazê-lo no Inverno, para não estar muito calor, e para nos poupar o aquecimento nos tanques.

publicado por товарищ V. E. às 02:23
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2 comentários:
De MMestre a 30 de Julho de 2005 às 03:58
err... isto até estava a ser engraçado até se falar em "gloriosa revolução" e "marcha triunfal"... qu'é isto? e eu a pensar que só encontrava fanáticos de direita a cada blog...
De Acolito Espirita a 20 de Julho de 2005 às 06:38
Ils sont fous, ces tchèques!

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