Pai_dos_Povos

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2006

Entrevista exclusiva: Ali Agça

Aproveitando a excelente relação entre o Blog Anti Blog e o governo turco, foi possivel negociar a deslocação do homem que tentou matar o papa João Paulo II, Mehmet Ali Agça, à ilha Fernando Pó, onde se encontra este vosso correspondente do Blog Anti Blog em missão secreta, para uma entrevista exclusiva. Esta deslocação provocou alguma confusão nos media mundiais, e chegou mesmo a falar-se de perdão da pena e libertação.


 


Blog Anti Blog - Ali - não se importa que lhe chame Ali? - antes de tudo, queria agradecer-lhe o incómodo de se ter deslocado aqui para conceder esta entrevista ao nosso humilde blógue.


 


Ali Agça - Ora essa, não me importo nada!... Se não se importar que eu o chame pataphisico. Quanto ao resto, garanto-lhe que não é incómodo nenhum. Antes pelo contrário, para mim é uma honra estar aqui. Já há muito tempo que sou fã do vosso blógue e que o leio diariamente. Antigamente, lá na prisão, traziam-me todos os dias um tradutor, um rapaz simpático de origem portuguesa: o Abdel Pereira. Depois eu comecei a dar uns toques e a safar-me sozinho, com ajuda do Babelfish. Acho que vocês são os maiores.


 


BAB - Muito obrigado. Gostava de começar pelo fim. Como é que foi sair da prisão ao fim de tantos anos? Afinal, o Ali já passou mais de metade da sua vida lá dentro...


 


AA [pensa um pouco, conta pelos dedos...] - Sim, pois foi. É giro tar cá fora. Há muitas coisas que não tinhamos lá dentro. Por exemplo, televisão por cabo... mulheres, Pata-negra... todos os cozinheiros são muçulmanos e não preparam carne de porco. Vou ver se levo uns presuntos e uns salpicões para o pessoal. Por outro lado há muitas coisas novas cá fora. Olhe, abriu um McDonalds novo ali no centro do Istanbul. Parece que já não há União Soviética, nem Jugoslávia... Nem sei o que é que vou fazer a um atlas quase novo que me deu um tio uns meses antes de ir para Roma. Mas aquilo que eu noto mais diferença são os Beatles.


 


BAB - Sim, quando você foi preso John tinha acabado de ser assassinado, e os outros estavam todos vivos.


 


AA - Quem? O Jónas? Pá, esse não fui eu, digo já. Mas tava eu a dizer, sinto falta dos Beatles. Dos Volkswagens.


 


BAB - Er... pois... Bem, falemos do Papa.  O que é que o levou a tentar matar o Papa?


 


AA - Foi um sonho que eu sempre tive, desde pequenino. Ainda malembra, andava prái na 4ª classe, e a sotôra mandou-me a mim e aos outros putos escrever uma composição sobre o que queriamos fazer quando fossemos grandes. Eu escrevi que queria matar o Papa. Parece uma história com piada, mas não tem piada nenhuma, porque levei 20 reguadas. Nem foi por nada, mas a gente morávamos na província, e naquela altura não se podia falar do Papa nem de outras coisas que tivessem a ver com o cristianismo. Se eu tivesse feito uma composição sobre matar um shariff, ou outro muçulmano qualquer, não havia problema nenhum.


 


BAB - Portanto, veio a Roma realizar um sonho...


 


AA - E não só. Depois veio a adolescência, e comecei a pensar mais noutras coisas, como mulheres, e Beatles. Só que à medida que se aproximava a idade do serviço militar,começava a ficar preocupado. Foi então que me lembrei do meu antigo sonho.


 


BAB - Diz então que tentou matar o Papa para evitar o serviço militar?


 


AA - Exacto. Bem pensado, não? Mas os gajos não foram na conversa. O pataphisico acredita que quando sair da tropa tenho de ir ara a tropa? Sou quase um senhor de idade! Tenho bicos-de-papagaio! Imagine como vou estar sei lá quando!


 


BAB - Imagino. Voltando ao atentado. Consta que foi encomendado pelo K.G.B...


 


AA - "Encomendado" será uma palavra demasiado forte...


 


BAB - Não nega, portanto, que o K.G.B. tenha estado de algum modo envolvido no planeamento do atentado...?


 


AA - Não, não nego. Mas não foi nada de especial. Tomámos uns cafés juntos, umas imperiais com uns tremoços... É um gajo muita porreiro, esse. Ainda trocamos umas cartas depois de eu ir para a prisão, mas desde há uns 15 anos para cá perdemos o contacto.


 


BAB - Refere-se ao K.G.B...


 


AA - Exacto. Foi ele que me apresentou a outro indivíduo porreiríssimo, o Mossad, que acabou por me arranjar uma pistola. Foi com ela que dei um tiro no Papa.


 


BAB - Diz então que foi a Mossad que lhe forneceu a arma do crime?


 


AA - Foi, uma arma lindíssima. E a preço de ocasião! Só paguei meia dúzia de milhões de liras!


 


BAB - Mas tem que admitir, seria um pouco invulgar nessa altura o K.G.B. e a Mossad cooperarem...


 


AA - Eles a princípio estavam um bocadinho desconfiados, mas uma vez o K.G.B. trouxe uma garrafa de Moskovskaya, e ó meu amigo, havia de os ver! A partir desse dia pareciam irmãos! Se eu contasse os segredos de estado que ouvi, tenho a impressão que matava o Papa de enfarte! Ou então de riso!


 


BAB - Imagino. Sei por experiência que uma garrafa de Moskovskaya ajuda a soltar a lingua...


 


AA - Muitas. Muitas garrafas. Mas o mais giro era quando se juntava a C.I.A.


 


BAB - A C.I.A. também ajudou a planear o atentado ao Papa!?


 


AA - Nnnão... Não foi bem ajudar. Apareca lá, bebia uns copos de Jack Daniels, e depois quando eu falava de um atentado ao Papa ficava muito entusiasmada e falava de uma carabina e de um armazém. Os outros riam muito, diziam que sim, e quando ela ia embora faziam pouco. Mas tinha piada.


 


BAB - Gostava agora de falar de quando o Papa o visitou na prisão.


 


AA - Ahh, foi muita porreiro da parte dele. Foi lá dizer que na boa, que me desculpava. Esqueceu-se foi que eu não lhe pedi desculpa [desata a rir]. Mas prontos, temos que vir, não é qualquer um: eu cá, se alguém me desse um tiro, não ia visitar à cadeia; esperava que saísse e depois dava-lhe um enxerto de porrada. Eu quando me disseram que ele me queria visitar, nem queria, com medo que ele me fosse aos cornos, mas depois disseram-me que ele já era velhote, e lá deixei.


 


BAB - E quanto ao conteúdo da vossa conversa? Sabe-se que o Papa lhe perdoou o atentado, e pouco mais...


 


AA - Bem, ele queria rezar comigo, e eu disse-lhe que depois de 3 anos na prisão não me apanhava de cú para o ar. Depois ele disse que os cristãos não precisavam de por o cú para o ar, e começou a ensinar-me lá umas rezas, que a mim soavam mais a bruxaria. Ele rezou até ao fim, durou-lhe quase uma hora, e aquilo era latim, ou assim. Eu depois dos primeiros cinco minutos chateei-me e comecei a gozar com o gajo e a dizer só «mula-malu-mula-malu...». No fim ele estava um bocado chateado [ri].


 


BAB - Disseram também algo ao ouvido um do outro. Está preparado para revelar o que foi?


 


AA - Não foi assim nada de especial. Primeiro ele perguntou-me se quem me tinha mandado matá-lo tinha sido o Rato Zinguer. Eu disse-lhe que só conhecia o Rato Mickey e o Toppo Gigio. Olhe, é outra coisa que me faz falta. Fiquei triste quando me disseram que o Toppo Gigio andava desaparecido. Na volta foi preso, como eu…


 


BAB - Não ficava muito surpreendido. Pensa que o Papa ficou satisfeito com a sua resposta?


 


AA - Pareceu um bocado aliviado.


 


BAB - E sobre que mais conversaram?


 


AA - Bem, depois eu pedi-lhe se podia ver a cicatriz da bala. Ele disse que até mostrava, mas assim, em frente às câmaras, podia parecer mal. Ora, eu, que já estava farto daquilo tudo, principalmente das rezas dele, disse-lhe que queria lá saber da cicatriz dele, e quando ele saísse lhe ia dar outro tiro.


 


BAB - Oportunidade que já não vai ter...


 


AA - Já não. Mas mesmo que pudesse, não o matava. Só disse aquilo para o chatear. No fundo, era um velhote simpático.


 


BAB - E quanto ao novo Papa, pensa que, caso alguma vez seja libertado, possa vir a tentar assassiná-lo?


 


AA - Não sei. Olhe, não gosto do nome dele, isso é certo. Benedictus Decimus Sextus não soa grande coisa. Gostava que houvesse um Papa com o nome do meu avô: Osman Mohamed Aghan. E até soa melhor e tudo...


 


BAB - Lá isso... Agora volta para a prisão. Sabe daqui a quanto tempo sai?


 


AA - Isso agora... Ainda há pouco tempo falei com um amigoque até é Juíz do Supremo, e ele diz que tanto pode ser daqui a um par de meses, como daqui a mais 25 anos. Mas diz que quando sair, da tropa não me safo. O pataphisico já viu isto? Por acaso não conhece nenhum médico turco que me passe um atestado...?


 


BAB - Não, por acaso não conheço. Bem, caro Ali, resta-me despedir-me e desejar-lhe boa sorte, em meu nome e em nome do Blog Anti  Blog.


 


AA - Obrigado, pataphisico, muito obrigado. Eu espero que o vosso Blog Anti Blog dure mais uns 25 anos, para me ajudar a aguentar.

publicado por товарищ V. E. às 04:39
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7 comentários:
De pataphisico_azul a 28 de Fevereiro de 2006 às 05:04
Alé? És alguma coisa ao Figo?
De Al a 24 de Fevereiro de 2006 às 02:05
Qué Alé (eu) te castigue e ardas no inferno... E mais importante, não irás ter direito às tuas 72 virgens... Hahahaha
De gaivotadaria a 12 de Fevereiro de 2006 às 15:43
Espero bem que não apanhe um enxerto de porrada por me ter fartado de rir com este post.
De Kriska a 12 de Fevereiro de 2006 às 13:26
Um grande contributo jornalistico do BAB!!
De Kriska a 12 de Fevereiro de 2006 às 13:25
Um grande contributo jornalistico do BAB!!
De Jos da Silva Maurcio a 8 de Fevereiro de 2006 às 11:41
Li o artigo e está muita FiXe. Boa.
… Olá Bloguista.
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Informações Úteis aos ALUNOS do Secundário e aos ALUNOS Universitários das CLASSES SOCIAIS Média, Média-Alta, Alta e RICOS.
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Sabiam que:
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*** EM CADA DOIS (2) alunos universitários UM (1) NÃO ACABARÁ o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Nota: Em ENGENHARIA É MUITO PIOR. Em cada quatro (4) alunos universitários três (3) não acabarão o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Ou seja. DOS ALUNOS QUE ENTRAM nas Universidades e Politécnicos (Públicas ou Privadas) CINQUENTA POR CENTO (50%) -- NÃO CHEGA -- A ACABAR O CURSO. A maior parte desiste nos 3 primeiros anos do Curso.
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No total Duzentos e Vinte e Cinco Mil (225.000) alunos não terminarão o Curso. Logo Dinheiro do Estado e dinheiro das Famílias deitados ao lixo todos os anos (Mais de Quatro Mil e Quinhentos Milhões (4.500.000.000) de Euros anuais).
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Nota Importante: NÃO SE PREOCUPEM COM OS POBRES. Porquê?!?! Porque nas Universidades e Politécnicos (Públicos e Privados) há:
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- Um por Cento (1%) de Pobres;
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- Sete por Cento (7%) de Classe Média-BAIXA.
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- Noventa e Dois por Cento (92%) de Classes Média, Média-Alta, Alta e Ricos. E SÃO ESTES QUE SE LIXAM!! Abram os Olhos!
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*** Um CURSO DE CINCO (5) ANOS É FEITO, em MÉDIA, em OITO (8) ou NOVE (9) anos!
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*** Dos Cinquenta por cento (50%) que TERMINAM O CURSO:
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Setenta por cento (70%) tira-o a COPIAR!!?!!?. Senão CHUMBAVAM também (seria 85% que não acabaria o Curso !!?!??!?!?!) e Profissionalmente serão ineficientes e medricas e inseguros.
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QUEM NÃO SE ACREDITAR NESTAS INFORMAÇÕES:
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Perguntem aos Administradores dos Serviços de Acção Social, aos Reitores e aos Presidentes das Universidades e Institutos Politécnicos, tanto Públicos como Não-Públicos.
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SOLUÇÕES SIMPLES:
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i -- FECHEM todas as Universidades e Institutos Politécnicos durante cinco (5) anos e ABRAM Escolas Secundárias Técnico Profissionais COM ACESSO À UNIVERSIDADE.;
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In “Livro aconselhado às Escolas Técnico Profissionais com acesso ao Ensino Superior”, http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html#893945
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E/OU ENTÃO,
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ii -- AUMENTEM AS PROPINAS, anualmente, para CINCO (5) VEZES o SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL (nos Institutos Politécnicos Públicos e nas Universidades Públicas).
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Prova dos Nove contra os Aldrabões e Aldrabonas e a sua “Ladainha dos Pobrezinhos”:
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Ver: “Alunos COM POSSES têm mais hipóteses no ENSINO (superior) PÚ-BLI-CO”, http://jn.sapo.pt/2004/08/22/sociedade/ha_portugal_cultura_facilitismo.html.
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PROPOSTA DE MELHORIA:
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Que a maior parte dos COLÉGIOS deixe de ministrar o Ensino GERAL (+/- igual a Palha com notas inflacionadas) e passe a ministrar o Ensino TÉCNICO-PROFISSIONAL com acesso ao Ensino Superior. É lógico!
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OFERTA PELA DIVULGAÇÃO DESTE DOCUMENTO:
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TODOS os Alunos PODEM E - DEVEM – Candidatar-se / Concorrer TODOS os anos à BOLSA DE ESTUDO nas Universidades e Institutos Politécnicos (Públicos e Não Públicos):
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"Oh ALUNOS Portugueses III" - SUBSÍDIO ESCOLAR e BOLSA DE ESTUDO , 30 Abril de 2004 em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html#128423
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José da Silva Maurício




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