Pai_dos_Povos

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2006

Arrastão 10 de Junho

Todos nós ouvimos falar do afamado, ou mal-afamado "Arrastão" de 10 de Junho. Cedo se instalou a polémica sobre a a realidade do dito arrastão, tendo vários jornalistas, bloquistas, e acima de tudo pseudo-jornalistas-bloquistas, tentado provar que tudo não passou de uma fraude. Nós, no Blog Anti Blog, mais uma vez não nos deixámos enganar pelos seus truques ilusórios. Após uma longa investigação jornalistíca, conseguimos trazer aos nossos leitores a prova irrefutável de que o dito Arrastão é real. Essa prova está aqui.

publicado por товарищ V. E. às 23:08
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2006

Entrevista exclusiva: Ali Agça

Aproveitando a excelente relação entre o Blog Anti Blog e o governo turco, foi possivel negociar a deslocação do homem que tentou matar o papa João Paulo II, Mehmet Ali Agça, à ilha Fernando Pó, onde se encontra este vosso correspondente do Blog Anti Blog em missão secreta, para uma entrevista exclusiva. Esta deslocação provocou alguma confusão nos media mundiais, e chegou mesmo a falar-se de perdão da pena e libertação.


 


Blog Anti Blog - Ali - não se importa que lhe chame Ali? - antes de tudo, queria agradecer-lhe o incómodo de se ter deslocado aqui para conceder esta entrevista ao nosso humilde blógue.


 


Ali Agça - Ora essa, não me importo nada!... Se não se importar que eu o chame pataphisico. Quanto ao resto, garanto-lhe que não é incómodo nenhum. Antes pelo contrário, para mim é uma honra estar aqui. Já há muito tempo que sou fã do vosso blógue e que o leio diariamente. Antigamente, lá na prisão, traziam-me todos os dias um tradutor, um rapaz simpático de origem portuguesa: o Abdel Pereira. Depois eu comecei a dar uns toques e a safar-me sozinho, com ajuda do Babelfish. Acho que vocês são os maiores.


 


BAB - Muito obrigado. Gostava de começar pelo fim. Como é que foi sair da prisão ao fim de tantos anos? Afinal, o Ali já passou mais de metade da sua vida lá dentro...


 


AA [pensa um pouco, conta pelos dedos...] - Sim, pois foi. É giro tar cá fora. Há muitas coisas que não tinhamos lá dentro. Por exemplo, televisão por cabo... mulheres, Pata-negra... todos os cozinheiros são muçulmanos e não preparam carne de porco. Vou ver se levo uns presuntos e uns salpicões para o pessoal. Por outro lado há muitas coisas novas cá fora. Olhe, abriu um McDonalds novo ali no centro do Istanbul. Parece que já não há União Soviética, nem Jugoslávia... Nem sei o que é que vou fazer a um atlas quase novo que me deu um tio uns meses antes de ir para Roma. Mas aquilo que eu noto mais diferença são os Beatles.


 


BAB - Sim, quando você foi preso John tinha acabado de ser assassinado, e os outros estavam todos vivos.


 


AA - Quem? O Jónas? Pá, esse não fui eu, digo já. Mas tava eu a dizer, sinto falta dos Beatles. Dos Volkswagens.


 


BAB - Er... pois... Bem, falemos do Papa.  O que é que o levou a tentar matar o Papa?


 


AA - Foi um sonho que eu sempre tive, desde pequenino. Ainda malembra, andava prái na 4ª classe, e a sotôra mandou-me a mim e aos outros putos escrever uma composição sobre o que queriamos fazer quando fossemos grandes. Eu escrevi que queria matar o Papa. Parece uma história com piada, mas não tem piada nenhuma, porque levei 20 reguadas. Nem foi por nada, mas a gente morávamos na província, e naquela altura não se podia falar do Papa nem de outras coisas que tivessem a ver com o cristianismo. Se eu tivesse feito uma composição sobre matar um shariff, ou outro muçulmano qualquer, não havia problema nenhum.


 


BAB - Portanto, veio a Roma realizar um sonho...


 


AA - E não só. Depois veio a adolescência, e comecei a pensar mais noutras coisas, como mulheres, e Beatles. Só que à medida que se aproximava a idade do serviço militar,começava a ficar preocupado. Foi então que me lembrei do meu antigo sonho.


 


BAB - Diz então que tentou matar o Papa para evitar o serviço militar?


 


AA - Exacto. Bem pensado, não? Mas os gajos não foram na conversa. O pataphisico acredita que quando sair da tropa tenho de ir ara a tropa? Sou quase um senhor de idade! Tenho bicos-de-papagaio! Imagine como vou estar sei lá quando!


 


BAB - Imagino. Voltando ao atentado. Consta que foi encomendado pelo K.G.B...


 


AA - "Encomendado" será uma palavra demasiado forte...


 


BAB - Não nega, portanto, que o K.G.B. tenha estado de algum modo envolvido no planeamento do atentado...?


 


AA - Não, não nego. Mas não foi nada de especial. Tomámos uns cafés juntos, umas imperiais com uns tremoços... É um gajo muita porreiro, esse. Ainda trocamos umas cartas depois de eu ir para a prisão, mas desde há uns 15 anos para cá perdemos o contacto.


 


BAB - Refere-se ao K.G.B...


 


AA - Exacto. Foi ele que me apresentou a outro indivíduo porreiríssimo, o Mossad, que acabou por me arranjar uma pistola. Foi com ela que dei um tiro no Papa.


 


BAB - Diz então que foi a Mossad que lhe forneceu a arma do crime?


 


AA - Foi, uma arma lindíssima. E a preço de ocasião! Só paguei meia dúzia de milhões de liras!


 


BAB - Mas tem que admitir, seria um pouco invulgar nessa altura o K.G.B. e a Mossad cooperarem...


 


AA - Eles a princípio estavam um bocadinho desconfiados, mas uma vez o K.G.B. trouxe uma garrafa de Moskovskaya, e ó meu amigo, havia de os ver! A partir desse dia pareciam irmãos! Se eu contasse os segredos de estado que ouvi, tenho a impressão que matava o Papa de enfarte! Ou então de riso!


 


BAB - Imagino. Sei por experiência que uma garrafa de Moskovskaya ajuda a soltar a lingua...


 


AA - Muitas. Muitas garrafas. Mas o mais giro era quando se juntava a C.I.A.


 


BAB - A C.I.A. também ajudou a planear o atentado ao Papa!?


 


AA - Nnnão... Não foi bem ajudar. Apareca lá, bebia uns copos de Jack Daniels, e depois quando eu falava de um atentado ao Papa ficava muito entusiasmada e falava de uma carabina e de um armazém. Os outros riam muito, diziam que sim, e quando ela ia embora faziam pouco. Mas tinha piada.


 


BAB - Gostava agora de falar de quando o Papa o visitou na prisão.


 


AA - Ahh, foi muita porreiro da parte dele. Foi lá dizer que na boa, que me desculpava. Esqueceu-se foi que eu não lhe pedi desculpa [desata a rir]. Mas prontos, temos que vir, não é qualquer um: eu cá, se alguém me desse um tiro, não ia visitar à cadeia; esperava que saísse e depois dava-lhe um enxerto de porrada. Eu quando me disseram que ele me queria visitar, nem queria, com medo que ele me fosse aos cornos, mas depois disseram-me que ele já era velhote, e lá deixei.


 


BAB - E quanto ao conteúdo da vossa conversa? Sabe-se que o Papa lhe perdoou o atentado, e pouco mais...


 


AA - Bem, ele queria rezar comigo, e eu disse-lhe que depois de 3 anos na prisão não me apanhava de cú para o ar. Depois ele disse que os cristãos não precisavam de por o cú para o ar, e começou a ensinar-me lá umas rezas, que a mim soavam mais a bruxaria. Ele rezou até ao fim, durou-lhe quase uma hora, e aquilo era latim, ou assim. Eu depois dos primeiros cinco minutos chateei-me e comecei a gozar com o gajo e a dizer só «mula-malu-mula-malu...». No fim ele estava um bocado chateado [ri].


 


BAB - Disseram também algo ao ouvido um do outro. Está preparado para revelar o que foi?


 


AA - Não foi assim nada de especial. Primeiro ele perguntou-me se quem me tinha mandado matá-lo tinha sido o Rato Zinguer. Eu disse-lhe que só conhecia o Rato Mickey e o Toppo Gigio. Olhe, é outra coisa que me faz falta. Fiquei triste quando me disseram que o Toppo Gigio andava desaparecido. Na volta foi preso, como eu…


 


BAB - Não ficava muito surpreendido. Pensa que o Papa ficou satisfeito com a sua resposta?


 


AA - Pareceu um bocado aliviado.


 


BAB - E sobre que mais conversaram?


 


AA - Bem, depois eu pedi-lhe se podia ver a cicatriz da bala. Ele disse que até mostrava, mas assim, em frente às câmaras, podia parecer mal. Ora, eu, que já estava farto daquilo tudo, principalmente das rezas dele, disse-lhe que queria lá saber da cicatriz dele, e quando ele saísse lhe ia dar outro tiro.


 


BAB - Oportunidade que já não vai ter...


 


AA - Já não. Mas mesmo que pudesse, não o matava. Só disse aquilo para o chatear. No fundo, era um velhote simpático.


 


BAB - E quanto ao novo Papa, pensa que, caso alguma vez seja libertado, possa vir a tentar assassiná-lo?


 


AA - Não sei. Olhe, não gosto do nome dele, isso é certo. Benedictus Decimus Sextus não soa grande coisa. Gostava que houvesse um Papa com o nome do meu avô: Osman Mohamed Aghan. E até soa melhor e tudo...


 


BAB - Lá isso... Agora volta para a prisão. Sabe daqui a quanto tempo sai?


 


AA - Isso agora... Ainda há pouco tempo falei com um amigoque até é Juíz do Supremo, e ele diz que tanto pode ser daqui a um par de meses, como daqui a mais 25 anos. Mas diz que quando sair, da tropa não me safo. O pataphisico já viu isto? Por acaso não conhece nenhum médico turco que me passe um atestado...?


 


BAB - Não, por acaso não conheço. Bem, caro Ali, resta-me despedir-me e desejar-lhe boa sorte, em meu nome e em nome do Blog Anti  Blog.


 


AA - Obrigado, pataphisico, muito obrigado. Eu espero que o vosso Blog Anti Blog dure mais uns 25 anos, para me ajudar a aguentar.

publicado por товарищ V. E. às 04:39
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