Pai_dos_Povos

Quarta-feira, 2 de Março de 2005

Teoria da Conspiração

É notável que a cultura popular portuguesa e checa dos anos '70 e princípio dos anos '80 se tenham inter-influenciado muito. Essas influências notaram-se em todas as áreas da educação cultural, como a televisão, e principalmente da cultura popular. Aliás, para aqueles que nasceram antes da década de '80, basta mencionar um nome: Vasco Granja. Outra área em que as influências são bastantes, apesar de muitas vezes desconhecidas para o povo em geral, tanto de um país como de outro, é a da música. A grande diferença, hoje em dia, entre a música dos dois países, é que a música Portuguesa evoluiu para uma espécie de rock pós-intervenção, onde todos dizem que têm influências do Zeca Afonso, mas nunca ninguém sequer ouviu um fado de Coimbra, e são antes algo assim estilo «gostava de ser a Björk mas as filas de espera para a lobotomia pré-frontal ainda não me permitem». Na República Checa, pelo contrário, a música não evoluiu assim. Não evoluiu de todo, os ídolos do povo continuam a ser os "chansioneures" de terceira qualidade e terceira idade, os mesmos artistas, com as mesmas músicas, e até as mesmas caras (à custa de horas e dólares no cirurgião). Falo de ídolos como Helena Vondrácková, a Ágata checa, que começou a sua carreira na girls band Golden Kids, nos remotos sixties. Ou como o grande, magnífico, Karel Emanuel Gott, a estrela das estrelas na Checoslováquia, República Checa e no que em breve a vier substituir. Se Vítor Espadinha desapareceu de todo, e não sabemos se a Madalena Iglésias está viva ou morta, Vondrácková e Gott continuam a ser os nº 1 das tabelas checas.


Mas quais são as razões da resistência de tais ídolos? Serão simples cantores? Apenas chansonneurs, ou algo mais? Vejamos: Karel Gott foi o intérprete da versão original da famosa série televisiva infantil, originária da R.D.A. "A Abelha Maia". Nos anos '60 o Elvis Checoslovaco, hoje o Sinatra Checo (duplamente despromovido...) mostra ser "mais que um simples músico" (afirmação que não é minha, mas de um canal de televisão Checo), e saber mais do que quer mostrar, ao declarar que «o LSD foi uma invenção do Pentágono para por no abastecimento de água para os habitantes dos países invadidos receberem o exército dos Estados Unidos com um sorriso...».


A abelha Maia, perigosa e subversiva, como se veio a saber mais tarde, quando foram descobertas as suas ligações ao agente Kalimmero, militante do PC Italiano e com ligações suspeitas às Brigatte Rosse, esteve em missão no nosso país no início dos anos '80, precisamente no ponto mais alto da cooperação cultural com a Checoslováquia. Mas esta foi apenas uma parte de um grande e inteligente plano de espionagem internacional, quiçá o maior da segunda metade da guerra-fria. Reparem quem interpretava o genérico da Abelha Maia? Uma jovem artista chamada Fernanda de Sousa. Ou devo antes dizer, uma jovem agente cujo nome de código é Ágata, a Helena Vondrácková portuguesa? Coincidência? A mim parece-me que é coincidência a mais, mas se ainda não concordam, continuem a ler, as coincidências ainda não acabaram.


Tudo começou alguns aos antes, em 1974, quando Paulo de Carvalho foi ao Festival da Eurovisão com a canção E Depois do Adeus (Letra de José Calvário, música de José Nisa). Esta canção teve uma importância interventiva que foi subavaliada na altura, e que, mesmo hoje, passados mais de 30 anos, o continua a ser. Mas veremos adiante.


Pouco tempo depois, houve um golpe militar de direita, que mobilizou todas as forças armadas portuguesas, apesar de estas serem maioritariamente de extrema-esquerda, ou simpatizantes com o comunismo soviético (na altura dizia-se "pedófagos"). As senha para o coup foram a dita canção, e uma outra, sobre um lugarejo qualquer no Alentejo onde se faziam experiências de socialismo mais ou menos utópico (vide Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, Friedrich Engels), servindo assim de isco para atrair os tais "pedófagos" e outros socialistas e socialistóides. A verdade é que o golpe falhou desastrosamente – servindo apenas para pôr, durante vários anos os ditos "pedófagos" (de agora em diante referidos apenas como os "vermelhos") perigosamente perto do poder efectivo. A direita que tentou o golpe, tentando acelerar as reformas democráticas e afastando assim os vermelhos, apenas as abrandou. A oportunista pequena burguesia Esquerdista e Kautskysta, obviamente, não quis também desperdiçar o que lhe era dado de bandeja, e por vários anos conseguiu manter os vermelhos à margem do poder. No entanto, estes, mesmo depois da traição de Brezhnev, contaram com alguns dos melhores agentes da República Democrática Alemã e da República Socialista Checoslovaca para os apoiar, como Maia e Kalimmero, que agiram directamente no país, em colaboração com os agentes locais. Ágata foi um deles, Paulo de Carvalho era um contacto internacional importante, como pode constatar qualquer pessoa que ouvir a música Sladké Mámení (música de Václav Zahradník, letra de Vladimír Poštulka), tema principal da banda sonora do enorme sucesso cinematográfico S Tebou Me Baví Svet, e detectar, às primeiras notas, a melodia de E Depois do Adeus. S Tebou Me Baví Svet saiu na Checoslováquia, aproximadamente na altura em que Maia começava a sua acção no país, denotando a enorme cooperação internacional que existia na então para colocar os vermelhos no poder, tendo então o apoio logístico da União Soviética de Andropov, veterano do K.G.B. e conhecedor dos jogos da espionagem internacional.


A pequena burguesia Esquerdista, no entanto, esteve atenta à situação desde o coup, e, como oportunista que era, não perdeu uma única das várias oportunidades que teve para chegar ao governo, muitas vezes associada às forças reaccionárias de direita. Teve também como objectivo, aliada a todas as outras forças políticas do país, impedir que os vermelhos chegassem ao poder.


A situação foi definitivamente resolvida por um agente chave dos meios pequeno-bourguise da Europa. Activo na política do país desde o coup, um certo Soares tinha estado atento ao estado da situação desde cedo. Muitas vezes, tinha garantido que o poder não caía nas mãos dos vermelhos, outras, tinha-o recebido da direita para garantir unidade contra eles. Soares não era só um político activo no país. Era também agente com ligações conhecidas e confessas a vários grupos internacionais e terroristas, entre eles a Fatah. O seu oportunismo Kautskysta permitiu-lhe, num confronto televisivo com o líder dos vermelhos, usar os seus dotes demagógicos (na língua inglesa, a do berço da democracia, chama-se a tal, beguile) para reafirmar as acusações de "pedofagia", e muitas outras. Esse debate ficou conhecido para muita gente como "olhe que não, Sr. Dr.!...", e marcou para todos, para o bem e para o mal, o fim da possibilidade de os vermelhos subirem, no curto prazo, ao poder.


Maia e Kalimmero retiraram-se, e o segundo é ainda procurado pela justiça italiana para interrogatório. No entanto, Maia, que regressou recentemente ao activo no nosso país, sob o "inocente" disfarce de astróloga, mas curiosamente dedicando-se bastante à previsão do futuro dos políticos, está activa, de uma forma ou de outra, em cada vez mais países. Os outros agentes (Gott, Vondrácková, Ágata...), continuaram em missões até hoje, e nunca perderam os seus contactos. A rede internacional parece assim mais activa que nunca. Soares apesar de ainda ser perigoso, está enfraquecido. E, acima de tudo, após quase 20 anos, a União Soviética tem um novo líder, veterano do KGB, educado segundo as regras do Partido. Nesta conjuntura parece-me, meus senhores, que os vermelhos são novamente um risco para a democracia portuguesa.

publicado por товарищ V. E. às 04:10
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